Nas minhas aulas aulas tem momentos que eu preciso ser dramático: gente, chega de rasgar dinheiro!

Calma que eu explico: em uma das atividades que faço em sala, peço para as pessoas, em duplas, dividirem R$ 100. É um desafio muito rápido e uns conseguem, outros não.

FOTO: cottonbro studio, via Pexels.

Mas o mais curioso é ver que muita gente recusa um acordo igual ao que muita gente aceita. Mesmas condições, mesmos valores. Uns fecham negócio felizes, outros rejeitam descontentes.

O que para uns é uma vitória, para outros é um insulto. O mesmo valor.

Pessoas rasgam dinheiro por duas razões

  1. Cada um tem suas preferências, seus valores pessoais, seus critérios subjetivos e, por isso, avaliam as coisas de maneira diferente, o que leva a escolhas e decisões diferentes.
  2. O contexto também interfere nas escolhas. Dependendo de como uma oferta é feita, ou como a pessoa lê o ambiente, ela pode tomar decisões diferentes.

(E, claro, as duas coisas podem acontecer juntas, o que torna as decisões ainda mais imprevisíveis.)

E embora o exercício seja sobre uma transação, com valores monetários, os insights também valem para outros tipos de negociação.

Pessoas também reagem de maneira diferente quando falamos sobre:

  • As tarefas que lhe são delegadas
  • As recompensas atreladas às atividades
  • O grau de dificuldade dos desafios que recebem

Reparou que, se você quiser, consegue atribuir uma conotação positiva ou negativa para cada um desses elementos?

Pois é, então seus colegas e as pessoas da sua equipe também conseguem.

É exatamente por isso que você precisa pensar nas duas razões que falei lá em cima, para preparar suas interações com as pessoas.

Duas sugestões fáceis de implementar

  1. Se cada um tem suas preferências – e suas expectativas – você precisa saber quais são. Conversar, fazer boas perguntas e, igualmente importante, ouvir as respostas.
  2. Como o ambiente impacta na leitura que a pessoa faz, que mudanças você pode fazer no ambiente para que a pessoa veja a sua proposta/oferta de forma mais positiva?

É claro que a gente tem pouco controle sobre o que se passa na cabeça do outro, sobre suas crenças e valores.

Mas é possível ter uma ideia dos elementos que mais interferem na sua percepção, na sua particular construção da realidade e, assim, adaptar nossas mensagens de acordo com estes elementos.

O mundo é o mesmo e o que está em volta é igual para todos, objetivamente falando. Mas cada um faz sua leitura e cria, por assim dizer, sua própria realidade, a partir da qual toma suas decisões.

É por isso que uns rasgam dinheiro, outros não.

E sabe o que é mais estranho?

A maioria das pessoas que rasgam dinheiro, não sabem que rasgam. Porque não sabem que negociam tão mal.

Então chega de rasgar dinheiro e se inscreve na próxima turma do Negociação 360.