Se você sempre pensou em como ser mais criativo, este livro vai fazer mais por você do que qualquer workshop com Lego e Post-It à vontade.

Eu costumo dividir os livros que leio em duas categorias:

  • Repertório: são os que têm bons insights, cases e conceitos, que servem de referência para o meu dia a dia, meu trabalho, meus textos e treinamentos.
  • Conexões: é a maneira como você usa seu repertório, como faz as combinações dos elementos (do repertório) para criar algo novo.

A primeira é mais cumulativa, pois leva a algumas associações primárias, classificações iniciais e pode ser sistematizada, para não depender exclusivamente da memória. Eu diria que 90% dos livros que leio se encaixam aqui.

Mas é na segunda que a mágica acontece, porque são os livros que te mostram novas formas de usar o que você já sabe, recombinar o que você já viu, leu, experimentou.

Como exemplos, eu posso citar Rápido e Devagar, do Kahneman, Antifrágil, do Taleb, O Andar do Bêbado, do Mlodinow, dentre tantos outros e, claro, Dentro da Caixa.

Logo de cara, a premissa não poderia ser mais contraintuitiva, porque desde sempre fomos acostumados a achar que para sermos criativos era preciso pensar…

Cartão com a capa do livro "Dentro da Caixa," de Drew Boyd e Jacob Goldenstein e, ao lado, os dizeres: Criatividade é pensar dentro da caixa 1. Brainstorming não funciona 2. Criatividade é muito mais transpiração do que inspiração 3. A maioria das soluções está dentro do próprio problema 4. Usando o método correto, todo mundo pode ser criativo

Se você completou a frase com um “fora da caixa,” então prepare-se para uma surpresa.

O problema do foco

Para os autores Drew Boyd e Jacob Goldenstein, pensar fora da caixa, imaginar cenários com recursos ilimitados, em que tudo é possível, acaba tirando o foco e levando a devaneios improdutivos.

Brainstorming, tal como conhecemos, é uma tremenda furada ainda praticada em toda sala de reunião mundo afora.

Pois é, isso também foi um choque para mim, porque a maioria das ideias que eu tinha sobre Criatividade estavam completamente erradas – assim como boa parte das coisas que a gente aprende no trabalho, sem passar por um crivo mais crítico.

O que Boyd e Goldenberg defendem – não com achismo, mas com anos de prática e experimentação – é que as melhores ideias estão dentro da caixa (o título do livro já dava esse spoiler, né?), isto é, dentro do próprio problema.

Na maioria das vezes, esses problemas se resolvem com os recursos que você já tem, já conhece e está familiarizado. Encontrar a solução ideal passa a ser, então, uma questão de usar corretamente os seus recursos.

Se “Dentro da Caixa” fosse um livro de autoajuda, ele terminaria aqui.

Foque no cliente!
Agregue valor!
Seja indispensável!

Essas são as dicas dos livros de autoajuda. Platitudes tão genéricas quanto inúteis.

Como ser mais criativo

Mas “Dentro da Caixa” vai além, porque ensina como fazer essas coisas. Ensina como ser mais criativo.

E essa é a grande quebra de paradigma que o livro traz, pois criatividade não é uma questão de inspiração divina, de talentos inatos, ou conspirações astrológicas. Como Thomas Edison já dizia, é muito mais transpiração do que inspiração.

Dois breves – e altamente simplificados – exemplos de técnicas ensinadas no livro:

  • Subtração: Retire um dos componentes do seu produto. A parte que sobra serve para alguma coisa? O que é um iPod, senão um iPhone que não faz ligações? Será que se inspiraram no walkman, que é um gravador que não grava?
  • Divisão: Pegue seu produto e divida em várias partes. O resultado serve para alguma coisa? (Pensou no ar condicionado split?)

No livro, você verá essas e muitas outras formas de treinar sua criatividade, para encontrar soluções práticas e funcionais para seus problemas reais. Uma nova maneira de formar conexões e aproveitar o repertório que você já tem.

O livro está disponível na Amazon e você pode comprar através do meu link de afiliado.

E este texto vai ajudar a se familiarizar ainda mais com as ideias do livro, porque você poderá ver uma aplicação prática.