Uma vez visitei produtores de leite do Sul de Minas, como parte do trabalho para um grande fabricante de laticínios. Enquanto acompanhava os compradores, percebi duas coisas interessantes sore o princípio da comparação que me ajudaram a preparar os treinamentos:
UMA COISA
A primeira é que o mercado de leite tem demanda reprimida, isto é, tem mais gente querendo comprar do que gente podendo vender.
E isto inverte a balança de poder durante as negociações. Normalmente é o comprador que está por cima, dita as regras e dá as cartas. Ele escolhe de quem comprar.
Já na demanda reprimida acontece o contrário: é o vendedor que escolhe para quem quer vender.

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Compradores se comportando como Vendedores
Isso gera uma inversão na expectativa de como se comportam Compradores e Vendedores, por exemplo:
- É o Comprador que visita o Vendedor;
- É ele que busca construir os relacionamentos;
- E também é ele que oferece vantagens por volumes maiores.
OUTRA COISA
O outro insight aconteceu quando percebi uma insistente curiosidade dos produtores em relação às outras negociações, com outros produtores.
Então resolvi perguntar:
Qual das duas situações você prefere:
- [A] Eu te pago R$ 2,60 o litro, e R$ 2,50 para o seu vizinho; ou
- [B] Eu te pago R$ 2,80 o litro, e R$ 2,90 para o seu vizinho.
(Consegue adivinhar a resposta?)
Por incrível que pareça, a maioria preferia letra A. Preferem receber menos em valores absolutos, mas mais em termos relativos. O princípio da comparação estava fazendo com que perdessem dinheiro.
Posso não ganhar tanto, mas ganho mais do que o meu vizinho.
É claro que do ponto de vista puramente racional isso não faz o menor sentido. Mas quem disse que somo puramente racionais?
Outro ponto: o Comprador está certo de pensar assim? Ou está errado?
Daí a gente tira dois aprendizados importantes:
APRENDIZADO UM
Nem todo mundo quer a mesma coisa – seja porque os objetivos são diferentes, seja porque buscam os objetivos de formas diferentes. Nem todo Comprador busca desconto e nem todo Vendedor quer volume.
APRENDIZADO DOIS
Se alguém rasga dinheiro, não é problema meu. Não estou aqui para fazer julgamento de valor. Não cabe a mim dizer se está certo ou errado. Cabe a mim, contudo, entender o que a pessoa está fazendo – e me adaptar ao que eu estou percebendo.
Entender o que a pessoa do outro lado quer, de verdade, é uma das principais funções de um bom Vendedor – mas é também uma das que eles menos fazem.
E sabe por que isso acontece?
Porque a maioria dos Vendedores nunca parou para pensar nisso. Mesmo os mais experientes. Inclusive os mais experientes. Especialmente os mais experientes. Nem se dão ao trabalho de checar e partem para a negociação, sem fazer um planejamento correto.
BÔNUS
A maioria das avaliações que nós fazemos são, na verdade, comparações – e isso fica muito claro neste caso. Por isso é importante entender bem como é a dinâmica dessas comparações. Então, não deixe de ler este texto: Toda avaliação é uma comparação.
