Muita gente acha que o Segredo é a alma do negócio. Mas em negociação, a alma é a Informação.
Se para um é importante proteger as informações, para o outro trocar informações é essencial.
Para empresas, vantagem competitiva pode ser algo tão sutil quanto:
- Acesso privilegiado a um nicho específico
- Sistemas de produção integrados de baixo custo
- Fornecedores ágeis e altamente maleáveis
- Modelos comerciais inovadores
Detalhes que fazem a diferença, mas não podem ser protegidas por contratos nem patentes. Muito justo, então, subir o muro para afastar curiosos e barrar concorrentes.

FOTO: Kristina Flour, via Unsplash
Em negociação, no entanto, se fechar demais pode te deixar isolado, impedindo que se enxergue as melhores oportunidades.
Soluções que nascem trocando informação na negociação
- Entregas fracionadas e mais frequentes, reduzindo o capital de giro do comprador, sem comprometer nível de serviço.
- Pequenos fornecedores pegando carona em grandes clientes para baratear o transporte e chegar ao preço-alvo solicitado por eles.
- Fornecedores que desenvolvem matérias-primas customizadas para clientes específicos.
Essas parcerias costumam surgir de acordos que não deram certo.
Como as negociações fracassam – o passo a passo
- Potenciais parceiros de negócios se encontram.
- Enxergam oportunidades e apresentam intenções.
- As coisas não encaixam como previsto e a ideia inicial não vinga.
- Um dos lados não desiste e continua acreditando que vale a pena.
- Este lado começa a fazer perguntas e estimular a troca de informação, até que encontram uma alternativa que viabiliza o negócio.
Este roteiro poderia se chamar “Os cinco passos dos acordos milionários que jamais aconteceram.”
E a razão é simples: as pessoas chegam no Passo 3 e param. É como se cada um fosse para a negociação com uma peça de quebra-cabeça na mão. Se encaixar, beleza; se não, – Puxa, que pena, melhor sorte na próxima.
- Ninguém pergunta onde pode encontrar mais peças.
- Ninguém pergunta se o outro tem mais peças.
- Nem se tem outro jogo.
É um misto de resignação, preguiça e falta de ambição. Uma visão binária de negociação: ou dá ou não dá. Em vez disso, que tal perguntar “como dá?” ou, “o que precisa acontecer para ter acordo?”
É a pergunta que as pessoas não fazem e, por isso, chegam para a negociação com poucas opções – quase sempre, uma só.
Negociar sem opções é um dos piores erros que se pode cometer.
Por várias razões
- Sem opções, você é praticamente obrigado a aceitar o que o outro oferecer.
- Com uma só opção na mão, é estatisticamente improvável que logo ela seja a melhor.
- Ao ouvir um “não” de primeira, a brincadeira acaba e você volta pra casa. Tipo queimar a largada.
O segredo pode ser a alma do negócio, mas a alma na negociação é exatamente o oposto.
