Um dos momentos mais críticos de uma tomada de decisão é saber quando se deve tomar a decisão.

Na minha adolescência eu gostava muito de jogar xadrez. Levava o jogo a sério, treinava e me dedicava de verdade, para aprender e melhorar sempre.

Naquela época os humanos ainda derrotavam máquinas que, hoje, não fariam frente nem aos smartphones mais simples. Por isso, estudar xadrez ainda era no modo raiz, nos livros, com as enciclopédias de aberturas, as estratégias de meio jogo e as indecifráveis teorias de finais.

Print de um livro de xadrez, mostrando uma posição de um jogo entre Alekhine e Capablanca na disputa pelo título mundial em 1927.

Posição de uma partida entre Aaron Nimzovitsch X Jose Raul Capablanca

O formato mais comum era um diagrama do tabuleiro, representando uma posição específica – normalmente de um jogo que aconteceu de verdade – e uma análise mais aprofundada dos temas da posição, como se vê na imagem acima.

Tal qual um Grande Mestre?

Desta forma, depois de alguns minutos concentrado, você conseguia encontrar as mesmas ideias sequência de lances que um Grande Mestre penou para encontrar na hora, durante o jogo original.

Isso significa que você joga tão bem quanto ele?

Claro que não. Muito longe disso, aliás.

Primeiro tem a questão da situação: enquanto você faz isso na tranquilidade do seu lar, ele estava lá, diante de um adversário igualmente forte e com o tempo correndo no relógio. Além da pressão do tempo, do jogo, do resultado e do campeonato, ainda tinha seus colegas em volta, te julgando.

Segundo – e mais importante – no livro você sabe que aquele é o momento decisivo , principalmente, que aquela posição tem solução.

Mas na vida real, no jogo ao vivo, não tem ninguém para dizer:

– Olha, nesta posição você pode ganhar uma peça.
– Aqui tem um ataque decisivo para as pretas.
– Xeque-mate em três lances.

Uma vantagem muito grande

Só quando o jogo acaba é que você percebe qual foi o momento decisivo. E isso faz toda a diferença porque, muitas vezes, a parte mais difícil ao tomar uma decisão é saber quando uma decisão precisa ser tomada.

  • Será que este é o momento certo de fazer aquele investimento?
  • Devo demitir aquele vendedor ou espero mais um pouco?
  • Já é a hora de começar o novo projeto?

Nessas decisões, o timing é o mais importante.

Uma dica bacana que vi no livro Gente que Resolve, dos irmãos Chip e Dan Heath, é criar alguns avisos ao seu redor, que te indiquem o momento exato em que você precisa agir.

Os tripwires, como eles chamam, podem ser entendidos como gatilhos (favor não confundir com gatilhos mentais) e ajudam a monitorar as pequenas mudanças graduais que de outra forma passariam despercebidas. Ou, ainda, avisam quando um evento específico aconteceu e uma ação deve ser implementada.

Placa amarela com letras pretas, em frente a uma ponte, com a frase "If you hit this sign, you will hit that bridge".Em Português: "Se você bater nessa placa, vai bater naquela ponte."

“Se você bater nessa placa, vai bater naquela ponte.”

Pode ser uma questão de passagem de tempo, de margem, de caixa ou de vendas. Ou de tudo isso combinado. O importante é você ligar o alarme para saber qual o momento de parar e tomar uma decisão.

Caso contrário, as ameaças e as oportunidades passam na sua frente sem você notar.

Mas lembre-se: também não adianta tomar a decisão na hora certa, mas resolver o problema errado!