Outro dia li um texto de um profissional de compras explicando como negociar contra seus fornecedores. Isso sempre me acendo o alerta sobre as posturas que adotamos ao negociar: devemos competir ou cooperar?
Acho muito curioso, por exemplo, quando alguém diz:
– Ganhei mais uma Negociação!
Será que do outro lado, a pessoa diz “Perdi mais uma Negociação”?
Claro que não.
Muita gente ainda acha que negociação é sobre derrotar a outra parte. Que é uma batalha, um combate com disputas ferozes, em que um perde e o outro ganha.

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Uma vez um Diretor de Compras me disse que uma das preocupações de um bom comprador é zelar pela saúde financeira do seu fornecedor.
O lado ruim de Competir
- Se ele quebrar todos os fornecedores, de quem ele vai comprar?
- Se ele ficar sem dinheiro, vai economizar na qualidade do produto.
- Se diminuir a concorrência, o preço sobe.
Então não faz muito sentido encarar o seu fornecedor, seu parceiro de negócios como um inimigo. Esquece essa visão de ter que matar um leão por dia, e começa a pensar como ficar amigo do leão.
É claro que, em muitas situações, R$ 1,00 a mais no seu bolso significa R$ 1,00 a menos no bolso do seu fornecedor. Mas nem sempre a conta precisa ser soma-zero, porque nem sempre negociar é competir; muitas vezes é possível cooperar.
O lado bom de Cooperar
- O comprador de uma montadora de automóveis viabilizou uma transação ao propor que as peças não fossem embaladas individualmente, reduzindo custos.
- Outro comprador ajudou seu fornecedor a zerar desperdícios com quebras, sugerindo alterações nas embalagens – que rasgavam facilmente no transporte.
- Uma empresa de bebidas ajudou empresas estrangeiras de reciclagem a se instalarem no Brasil, para aumentar a concorrência e baixar os preços.
São iniciativas propostas por um lado, mas que faz com que os dois ganhem.
Quando os relacionamentos são positivos e as parcerias produtivas, compradores e vendedores trabalham juntos buscando benefícios para ambos e a gente não precisa competir ao negociar, pois pode realmente colaborar de forma efetiva.
Mas nada disso é possível se a gente continuar achando que precisa derrotar o outro lado, que ele está contra a gente.
O que tem do outro lado?
- Do outro lado também tem uma pessoa, que também tem um chefe e uma família.
- No trabalho ela também tem metas, objetivos e desafios.
- E nada disso precisa concorrer com suas metas, objetivos e desafios.
- Muito pelo contrário, eles podem ser complementares.
Quando a gente percebe que trazer a outra parte para o nosso lado possibilita costurar acordos melhores, nossos resultados tendem a mudar – e pra melhor!
Então pare de achar defeito em tudo o que o outro diz. Comece a ver o que ele traz de bom. Afinal, se é tão ruim, por que você quer fazer negócio?
- Seu trabalho, enquanto negociador, não é diminuir a outra parte, encontrar fraquezas e problemas no que o outro diz. Trabalhar com esse mindset competitivo só vai afastar as pessoas, azedar os relacionamentos.
- Por outro lado, encontrar méritos nas propostas dos outros é o melhor caminho para fechar ótimos acordos.
Na sua próxima Negociação, experimente olhar o outro como parceiro, não como inimigo. Uma ótima maneira de fazer isso é buscar os objetivos que vocês têm em comum – e assim Construir Pontes.
