Além de buscar um bom acordo, um dos principais objetivos de uma negociação deve ser melhorar o relacionamento entre as partes. Isso acontece, normalmente, quando as pessoas cooperam e trabalham juntas, em vez de trabalharem umas contra as outras, competindo entre si.

Negociações distributivas ocorrem quando temos uma quantidade finita de recursos e, por isso, tendem a gerar este clima de ganhar a todo custo, de derrotar o outro lado. Sempre que possível, no entanto, devemos buscar formas de colaborar e chegar a negociações integrativas, na base da reciprocidade, pois além de agregarem valor, elas contribuem para estreitar os laços entre as partes.

Quatro mulheres sentadas em volta de uma mesa conversando de maneira descontraída.

Foto: LinkedIn Sales Solutions, via Unsplash

Mas para isso é sempre bom tomar alguns cuidados:

1. Gerenciar Expectativas

Antes mesmo de começar as conversas, as partes já têm alguma expectativa sobre o que pretendem conseguir em uma Negociação. Por isso, é sempre aconselhável entender o que a outra parte espera e promover os devidos ajustes, quando for o caso.

Você pode simplesmente perguntar ao outro lado, de uma forma bem genérica, o que eles esperam atingir ou realizar com aquele acordo. Desta forma, você consegue calibrar não só a sua oferta inicial (ou sua ancoragem), mas também a amplitude e o ritmo das suas concessões.

2. Retardar o Fechamento

Nem sempre uma pessoa fica satisfeita ao fechar um acordo imediatamente. Imagine que você esteja vendendo seu carro e seu colega de trabalho pergunte o preço. Você diz que quer R$ 70 mil e imediatamente ele pede o seu Pix para fazer a transferência.

Como você se sentiria?

Provavelmente acharia que fez alguma coisa errada, que pediu pouco, que perdeu dinheiro. Pior: vai achar que seu colega é desonesto e que te enganou. Provavelmente nunca mais vai querer fazer negócio com ele. (E talvez, até, fale mal dele pelos corredores).

Mas tudo o que ele fez foi concordar com o valor que você pediu.

Agora imagine uma realidade paralela em que, em vez de pagar na hora o valor pedido, ele fizesse uma contraproposta de R$ 65 mil. Aí vocês negociam um pouco, cede daqui, concessão dali e fecham negócio em R$ 68.900.

É bem provável que você fique mais satisfeito com este valor do que com os R$ 70 mil da outra situação. Não só isso: vai achar que seu colega é justo e honesto.

Mesmo você recebendo um valor menor, a sua satisfação é maior, porque você tem a percepção de ter feito um negócio melhor, de ter ganho alguma coisa – afinal, você foi de R$ 65 mil para quase R$ 69 mil! Claro que R$ 70 mil ainda é melhor, mas o que vale aqui é a percepção.

3. O Resultado do Outro

Da mesma forma que você avalia o seu resultado, você também avalia o resultado do outro – e o outro avalia o seu resultado e o dele.

Por isso, preste atenção na forma como o que você está conseguindo vai repercutir do outro lado, porque essas avaliações normalmente são feitas através de comparações.

A pessoa pode ficar muito feliz de conseguir 20% de aumento em uma promoção, mas se descobrir que o colega ganhou 21% de aumento, a alegria vai dar lugar à frustração e à sensação de injustiça.

4. As Regras do Jogo

Não são só os resultados da Negociação que importam; a forma como os resultados foram obtidos também é importante. As pessoas normalmente ficam mais satisfeitas com seus acordos quando percebem que o processo todo foi justo e honesto.

Por isso é sempre importante que os diálogos sejam abertos e francos, inclusive sobre como a Negociação será conduzida. Quanto mais as pessoas se sentem ouvidas e respeitadas, mais elas ficam satisfeitas com o que conseguem.

Melhorar o relacionamento deve ser uma consequência de um bom acordo – jamais o objetivo da negociação, salvo raríssimas exceções.