Ninguém pensa na importância de um Processo Decisório – até que aquela escolha que você considerava perfeita resulta em uma catástrofe espetacular.
Imagine que você precise decidir onde vai abrir a nova filial de uma rede de restaurantes de frutos do mar nos EUA. O Golfo do México parece uma boa opção, com cidades turísticas de ótimo nível, bom acesso a ingredientes frescos e mão de obra abundante.
Então você escolhe a cidade, a empresa compra o terreno e as obras começam.
Aí explode uma plataforma da British Petroleum, todo o litoral fica coberto de óleo e vai tudo por água abaixo.

Sua melhor decisão pode ser destruída por um desastre aleatório
Não importa o quanto seu projeto seja bom, o Board precisa dar uma satisfação aos acionistas sobre o prejuízo e, por isso, cabeças precisam rolar – neste caso, a sua.
Pois é, suas melhores decisões podem fazer com que você seja demitido.
Essa história, contada por Dan Ariely em Good Decisions, Bad Outcomes, mostra um erro crucial em Tomada de Decisão: a nossa tendência a avaliar a qualidade da decisão pela qualidade dos resultados.
Como já escrevi em outro texto, Resultados derivam de Decisões + Execução + Acaso. Este último foi o que pegou.
É por isso que a gente só deve avaliar aquilo que a gente pode prever, ou controlar. Neste caso: a decisão em si, como ela foi tomada e que processo decisório foi utilizado.
Em um artigo da McKinsey, Dan Lovallo e Olivier Sibony estudaram mais de 1.000 decisões cruciais tomadas em grandes empresas e concluíram, então, que o item que mais pesa na avaliação de uma decisão é a qualidade do processo empregado.
Portanto, em um bom processo para Tomada de Decisão, não pode faltar:
Definição do Problema
Tudo começa com um entendimento correto sobre qual problema você precisa resolver, porque de nada adianta a melhor solução para o problema errado.
Por isso, resista à tentação de pegar a primeira resposta que aparecer e seguir com ela até o final tentando, a qualquer custo, mostrar que você estava certo. Isso é roteiro de série policial. Na vida real é um erro. Questione, teste e revise.
Premissas
Suas opções e os resultados que elas podem trazer dependem das premissas que você está usando. O financiamento do seu projeto está atrelado a uma taxa de juros. Será que ela vai mudar? Será que a previsão de demanda está correta? E como o cenário político pode interferir nos seus planos?
Cada previsão pinta um cenário diferente, que vai impactar seus resultados. Por isso, as premissas usadas para fazer as previsões também determinam a qualidade da sua Tomada de Decisão.
Alternativas
Normalmente uma boa definição do problema já aponta algumas soluções. Mas é preciso explorar mais a fundo, avaliando, especialmente, de quais recursos você dispõe e quais as suas principais restrições.
Ao contrário do que muita gente pensa, gerar alternativas não depende de capacidades cognitivas superiores ou inspiração divina. É muito mais força bruta e trabalho duro. E, claro, uma boa metodologia também ajuda!
Quando você avalia estes elementos, é possível entender o racional por trás da decisão e, aí sim, dizer se foi uma decisão boa ou ruim. Do contrário, você está sendo iludido pelo acaso.
