Todo mundo tem um plano até levar um soco na cara.

A frase é atribuída a Mike Tyson, mas qualquer um que já viveu um imprevisto no trabalho poderia tê-la dito.

Foto do confronto histórico entre os pugilistas peso-pesados Evander Holyfield e Mike Tyson. Ilustra a famosa frase de Tyson, dizendo que "todo mundo tem um plano até levar um soco na cara"

A histórica (e polêmica) luta entre Evander Holyfield e Mike Tyson

As empresas sempre gastam somas vultuosas para se planejar. Da produção ao pós-venda, recursos, pessoas e processos são organizados de maneira a atingir objetivos cuidadosamente traçados.

Sensação de Controle

Mas vida é o que acontece enquanto a gente faz planos. Vez ou outra, o mundo está aí para nos mostrar, sem cerimônia, que ninguém está totalmente no controle – embora muitos experimentem essa sensação ao criar seus planos cheios de detalhes.

Mas não passa disso: uma sensação, praticamente uma ilusão, que faz a gente brigar com a realidade. Uma briga que não tem como ganhar, então o melhor é fazer as pazes logo, e incorporar a incerteza ao planejamento.

Em Tomada de Decisão, o ideal é ser pessimista no planejamento e otimista na execução. Isso não significa pensar em tudo achando que vai dar errado, mas sabendo que pode dar errado. É bem diferente.

Defenda o soco na cara com Alternativas

Já que nem todo soco na cara pode ser previsto, nem tudo pode ser calculado, sempre que tomamos decisões é importante ter alguma base de manobra para corrigir os rumos, quando necessário. Essa base de manobra tem nome: alternativas. Como diz aquele ditado, “quem tem dois, tem um e quem tem um não tem nenhum”.

Se você só tem um fornecedor – ou um cliente – você está tanto na mão dele, quanto na mão do acaso. Se você tem dois, um serve de backup para o outro – e assim por diante.

Em Antifrágil, o Nassim Taleb sugere, inclusive, que quando a gente tem mais opções, nem precisa acertar o tempo todo, porque sempre pode tentar de novo.

Mais preparação do que previsão

É por isso, também, que ele sempre recomenda investir mais em preparação do que em previsão. Porque a previsão, quanto mais complexa, mais chance de errar. É aí que entra a preparação, para ser capaz de identificar e consertar o que deu errado.

Não estou nem pensando em erros catastróficos, porque estes provavelmente não terão muito jeito, mesmo – são os cisnes negros. Eu me refiro àquelas pequenas imprecisões que sempre aparecem e que, com a devida margem de manobra, pensada de antemão, podem ser amenizadas ou mesmo superadas.

Mas um ponto crucial quando se pensa em contingências e alternativas é incorporá-las aos processos. Se um fornecedor alternativo atende quando o outro falta ou cai a qualidade, é preciso deixar claro o que configura falta, ou determina a quebra do padrão de qualidade esperado.

Isso tem que estar claro tanto interna, quanto externamente; nos seus procedimentos e nos seus contratos. Ambos devem prever flutuações, mesmo que para isso precisem incorporar certa ambiguidade.

Se você pensar na negociação antes de começar a negociar, seu trabalho pode se tornar mais produtivo – e sem o trauma de um soco na cara. E se você quiser testar seus planos antes de colocá-los em prática, que tal realizar uma autópsia prévia?