Um dos maiores desafios da gestão é definir como se deve avaliar uma decisão. E sempre que penso em resolver este dilema, essa frase me vem à cabeça:

É o futuro que causa o passado, com muito mais frequência do que o passado causando o futuro.

Essa constatação, trazida por Bruce Bueno de Mesquita em The Predictioneer’s Game, guarda uma lógica tão sólida quanto bizarra:

→ Muitas das nossas decisões são tomadas a partir do que imaginamos que serão seus resultados no futuro.

Foto de um alvo em que os dardos estão concentrados à esquerda do centro, além de dois deles estarem fora do próprio alvo.

FOTO: Miikka Luotio, via Unsplash

Futuro ou Passado?

Por isso, ao tomarmos decisões, olhamos muito mais para a frente do que para trás.

Este hábito pode ter, também, uma consequência gravíssima na formação da cultura das empresas. Quem explica, dessa vez, são J. Edward Russo e Paul J. H. Schoemaker, em Winning Decisions:

O modo como as decisões são avaliadas interfere no modo como elas são tomadas.

Muitas empresas avaliam as decisões pelos seus resultados, em vez de analisar os caminhos trilhados para se chegar a elas.

De onde vem o resultado?

Isso já é um erro sério, pois normalmente o resultado é uma combinação de: Decisão + Execução + Acaso.

Então, a decisão é apenas um dos componentes do resultado. E, frequentemente, nem é o que tem mais peso.

Um resultado bom não significa, portanto, que a decisão foi boa, do mesmo modo que um resultado ruim não significa que a decisão foi ruim.

  • Eu já lancei um produto excelente, mas a produção errou na programação e não conseguimos entregar. [Execução]
  • Eu já lancei um produto ruim, mas o concorrente ficou com carga presa na alfândega, o que transformou a aação em um sucesso. [Acaso]

Processo ou resultado?

A qualidade da decisão só deveria ser medida pelo processo de tomada de decisão, isto é, entender como a pessoa tomou aquela decisão:

  • que premissas usou,
  • que lógica foi aplicada,
  • que probabilidades calculou.

Mas a maioria das empresas nem percebe a diferença entre processo e resultado e, por isso, só olha o último.

Para piorar, esse mesmo resultado servirá para avaliar a pessoa que tomou as decisões – e isso vai impactar decisivamente na carreira dela, principalmente naquelas empresas que punem os erros (mesmo que inconsciente ou implicitamente).

O resultado disso é que:

  • Se a empresa pune o erro, todos optam pelas opções mais seguras, não necessariamente as melhores.
  • Com medo de errar, as pessoas passam a ter medo de tentar.
  • Tomar uma decisão passa a ser um exercício de tentar adivinhar o que a alta gestão espera.

Aí, para a surpresa de zero pessoas, a empresa deixa de inovar, fica burocrática e ultrapassada. E nem o CEO, nem o Board entendem o motivo.

Você quer que sua equipe tome decisões melhores?

Então desenhe um ambiente mais receptivo e honesto e repense suas reações em relação aos resultados.

E se vale para Tomada de Decisão, vale para Negociação também!

(Outra elemento essencial para tomar boas decisões é saber o momento certo de tomar decisões. Confere aqui nesse texto!)