— Essa vai ser uma visita para estreitar o relacionamento.

Eu sempre tenho arrepios quando ouço essa frase.

Ela é dita, quase sempre, quando vou a campo visitar clientes com vendedores, para customizar um programa de treinamento.

Em uma mesa de madeira clara, duas mulheres jovens de um lado conversam com um homem de meia idade do outro. Sobre a mesa, um par de óculos de grau pretos xícaras de café, copos com água, guardanapos e alguns doces.

FOTO: Edmond Dantès, via Pexels

O que há de errado com Visita de Relacionamento?

  • É a senha para saber que vou perder meu tempo.
  • Porque esse vendedor não sabe bem o que está fazendo ali, naquele cliente específico.
  • A visita não tem um objetivo claro.

Mas como o vendedor está com uma visita externa, ele escolhe alguém que conhece bem, de outros carnavais, para ficar bem na foto.

Normalmente, no entanto, é um tiro que sai pela culatra, porque conversa-se sobre tudo, exceto o que importa. E aí, nem ele faz o trabalho dele, nem eu consigo fazer o meu – que é ver como ele faz o dele.

Nenhum cliente jamais me contratou para ajudar seu time a estreitar relacionamento. (Ainda bem, porque minha visão sobre “relacionamento” em vendas é um pouco peculiar. Mas isso fica para outro texto.)

Quando converso sobre este tema, deixo sempre algumas perguntas no ar:

O que é, exatamente, estreitar relacionamento?

  • Ficar mais amigo do seu cliente?
  • Conhecer melhor a família dele? O nome dos filhos?
  • Saber o que ele gosta de fazer no fim de semana? O time de futebol?

Como saber se a visita de relacionamento deu certo?

  • Você pergunta pro cliente se ele sente que o relacionamento está mais estreito?
  • Você tem um template, no CRM, que te ajuda a medir o estreitamento de relacionamento?
  • Vai no feeling, mesmo?

Como isso te ajuda no seu objetivo?

  • Que objetivo?
  • Era só uma visita de relacionamento.
  • Você faz perguntas muito difíceis…

Sim, mas eu estou aqui para fazer as perguntas difíceis – e há outras aindamais difíceis:

— Por que você dedica boa parte do seu tempo a esse cliente se ele compra tão pouco?

Essa, sim, é uma pergunta difícil, porque há maneiras e maneiras de usar seus relacionamentos em vendas. Uma delas é, justamente, exibi-los como troféu para um consultor externo. Isso é muito comum – e muito errado.

— Olha que legal, estou te levando para conversar com o VP da empresa!

— Sim, da empresa que não compra um mísero Real de você. Que belo relacionamento!

Não é que eu não acredite em relacionamentos

Muito pelo contrário: acho que têm um valor inestimável na atividade de vendas! Desde que você saiba para que ele serve, exatamente, e como, quando e onde deve ser usado.

O que eu costumo dizer é que relacionamentos abrem portas, mas o que mantém as portas abertas são bons negócios. E essas duas coisas precisam andar sempre de mãos dadas.

Neste outro texto, eu explico por quê melhorar o relacionamento deve ser uma consequência de um bom acordo – e não o objetivo do acordo.